Por que dietas restritivas não funcionam?

06/12/2019 3 min de leitura

Entenda como seu corpo funciona quando você se expõe a dietas altamente restritivas

Prato com apenas uma ervilha
Fonte: Shutterstock

Perder peso? É fácil! Basta fazer uma dieta da internet, daquelas super restritivas, passar duas horas na academia todos os  dias e pronto. Tá tudo certo, não é mesmo?

Se fosse tão fácil assim, as pessoas perderiam peso uma única vez e manteriam esse peso pelo resto de suas vidas. Tudo isso seria maravilhoso, mas, na realidade, acontece justamente o contrário. O  que é mais comum é o processo de reganho de peso, tendo em vista que essa é uma das consequências de dietas restritivas e sem acompanhamento de um profissional nutricionista. Esse é o famoso efeito sanfona.

Estudos (apontados no livro O peso das dietas de Sophie Deram) mostram que 95% das pessoas que perdem peso com dietas restritivas voltam a engordar e, na grande maioria das vezes, ganham mais peso do que tinham antes de começar a dieta. E o que acontece com os outros 5% que não voltam a ganhar peso? Esses mesmos estudos descobriram que parte do grupo que não fracassou na dieta desenvolveu algum tipo de transtorno alimentar. 

Esse tipo de estratégia pode até funcionar em um primeiro momento, mas não se torna sustentável a longo prazo. Esse método acaba causando uma queda no metabolismo basal, o que dificulta muito a perda de peso futura e pode até mesmo afetar a relação com a comida. O que geralmente acontece é: as pessoas pensam em comida a todo instante e desenvolvem, inclusive, episódios de compulsão alimentar pois, de tanto focarem no que podem e não podem comer, sentem medo de sair da dieta e, pior que isso, sentem culpa após o deslize.

Quando restringimos nossa alimentação na tentativa de perder peso, nosso corpo não aceita e começa a trabalhar para voltar ao estado original. Para isso, ele pode até mesmo armazenar alguns quilos extras como uma “precaução” em eventuais dietas futuras.

Dentre as consequências que a restrição alimentar causa, podemos citar:

  • perda de massa magra
  • queda de cabelo
  • unhas frágeis
  • pele ressecada
  • dificuldade para dormir
  • dores de cabeça
  • desmaios
  • irritabilidade
  • cansaço
  • tontura

E como ficam os hormônios em meio a tudo isso?

O corpo entende a restrição calórica como um momento de escassez e passa a enviar sinais –  principalmente para o cérebro e para os intestinos – através da liberação de hormônios que diminuem a saciedade (leptina) e aumentam a fome (grelina).

Moral da história: a fome pisa no acelerador, a saciedade no freio e, mesmo com a restrição de calorias do início da dieta, o ritmo de emagrecimento fica estagnado. Esse é o “platô da dieta”, o ponto em que muita gente se frustra e volta à comilança. Esse aumento da ingestão de alimentos vira gordura mais rápido do que antes e fica cada vez mais difícil emagrecer com qualidade e rapidez.

Mas se não for através de dietas, como emagrecer?

A resposta é simples: mudança de comportamento e moderação nas escolhas alimentares! Tudo na vida deve acontecer de maneira equilibrada. Mudar o comportamento é comer devagar, estar aberto a novos alimentos, enfim, buscar ter outra relação com a comida. Quando as pessoas seguem uma dieta restritiva, o corpo diz uma coisa, mas as regras –  “fazer 6 refeições por dia”; “ comer de 3 em 3 horas”; “ ter um dia do lixo” – da dieta dizem outra. Ou seja, você acaba não escutando as reais necessidades do seu corpo e entrando novamente em um ciclo de frustração.

Faça as pazes com a comida

Se deu fome: coma! Parece contraditório, sabemos bem disso, mas é a forma mais correta de fazer o metabolismo sair do efeito platô, principalmente para quem vive de dieta. Aprenda a entender as necessidades do seu próprio corpo.

E aí, acha que já está na hora de fazer as pazes consigo mesmo e com a dieta?