Mitos e verdades sobre alimentação

28/02/2020 6 min de leitura

A alimentação é parte essencial do nosso dia a dia e são muitas as dúvidas que surgem acerca do assunto. Hoje nós viemos aqui para solucionar algumas dessas questões. Ao final, se você tiver alguma dúvida sobre saúde e alimentação, manda lá pra gente direct (@nutracisoficial) ou através do nosso e-mail (sac@nutracis.com.br). 

  • É verdade que não posso comer alimentos pesados antes de dormir?

O ideal é não consumir alimentos pesados antes de dormir, pois eles demoram bastante a serem digeridos, o que pode desencadear problemas no sono e, consequentemente, indisposição no dia posterior. 

Comer muito tarde também pode inibir a degradação da gordura no organismo – processo natural durante a noite –  e levar ao ganho de peso. Além disso, pode ocasionar refluxo gastroesofágico, um transtorno que faz com que o conteúdo estomacal retorne ao esôfago, causando  náusea, indigestão e irritação no esôfago pela acidez gástrica.

  • É verdade que não posso comer e imediatamente após tomar banho?

Depende do alimento que foi ingerido e do volume consumido. Isso porque depois da refeição, todo o fluxo sanguíneo é direcionado para o processo digestivo, fazendo o corpo aumentar o fluxo sanguíneo na pele para manter a temperatura corporal constante.

Não há contraindicação em tomar banho após as refeições, pois o banho não requer nenhum esforço físico relevante. Mas em casos de banhos de mar ou piscina, onde o exercício exige que o corpo aumente o fluxo de oxigênio no sangue para os músculos, a digestão fica em segundo plano, o que pode ocasionar enjoos, mal-estar e indigestão.

  • A alimentação pode me ajudar a superar o vício em cigarro?

A mudança no estilo de vida é essencial para superar o vício de fumar. E dentre tantas mudanças necessárias, a alimentação, com certeza, tem um papel fundamental.

Aqui vão algumas dicas para ajudar a driblar o vício:

  • Beber pelo menos dois litros de água por dia para ajudar a desintoxicar o organismo;
  • Evitar café, bebidas alcoólicas, refrigerantes e chá mate, pois essas bebidas potencializam o estresse, aumentando assim o desejo de fumar;
  • O consumo de alimentos ricos em vitamina C está associado à diminuição do cortisol – hormônio que atua na resposta ao estresse. Ao diminuir o estresse, a vontade de fumar, consequentemente diminui. Portanto, consumir alimentos como laranja, morango, limão e mamão, ajuda bastante.

  • O sal e o açúcar podem realmente ser chamados de venenos brancos?

Pode soar muito pesado rotular alimentos como “venenos”, porém, se você quer, de fato, ter um impacto super positivo na sua saúde, o ideal é diminuir ou, se possível, eliminar o consumo de determinados alimentos que não acrescentam benefícios à saúde.

No caso do açúcar, o processo de refinamento elimina praticamente todos os nutrientes e enche o alimento de químicas, não restando praticamente nada além de carboidratos de alto índice glicêmico e calorias.  

Em relação ao sal, este é composto basicamente por cloreto de sódio, e o consumo exagerado dele pode aumentar o risco de pressão arterial elevada e problemas renais. As pessoas associam muito o sal ao sabor da comida, então, se você quiser um substituto ao sal, você pode usar ervas finas e condimentos que naturalmente dão mais sabor aos seus pratos.

  • É verdade que o azeite ao ser usado para frituras tem o mesmo efeito do óleo?

Antes, pensava-se que as moléculas de gordura desse tipo de óleo queimavam a uma temperatura inferior a dos demais e, por isso, ele produziria aldeídos e outros compostos químicos que poderiam ser tóxicos e dariam um sabor ácido para os alimentos. Mas a verdade é que o azeite é mais estável que os óleos vegetais comuns e sua composição não é alterada significativamente durante o cozimento ou até mesmo fritura.

  • É verdade que comer banana reduz a câimbra?

Mais ou menos. A câimbra está ligada à falta de sais minerais, e a banana é rica em água, potássio e carboidratos (que fornecem glicose). Dessa forma, em teoria, ela poderia ajudar a combater as câimbras por ajudar a manter a hidratação do corpo, fornecer energia aos músculos e repor os níveis de potássio. 

O potássio é muito lembrado quando falamos de câimbras, no entanto, os elementos que mais parecem estar envolvidos nas câimbras são o sódio, o cálcio e o magnésio. Quando há deficiência de potássio, é mais fácil relacioná-la a quadros de fraqueza e paralisia muscular do que propriamente às câimbras.

Outro fator que ocasiona muitas câimbras é a desidratação. Em dias mais quentes ou com mais atividades que o normal, a perda de muita água e minerais pelo suor pode causar episódios de câimbra.

  • É verdade que dormir pouco ou mal engorda? 

Noites mal dormidas estimulam as pessoas a comerem mais, o que, consequentemente, facilita o ganho de peso. É necessário considerar que quanto menos horas se dorme, mais tempo se tem para comer e beber. Além disso, indivíduos que dormem menos têm maior probabilidade de serem fisicamente inativos, – devido à baixa de energia ao longo do dia –  o que diminui a queima calórica.

A privação do sono também aumenta a produção de grelina e cortisol, hormônios responsáveis pela fome e estresse, respectivamente. Tudo isso leva ao acúmulo de gordura principalmente na região abdominal e diminuição da leptina – hormônio responsável pela saciedade.

  • É verdade que é melhor cozinhar vegetais no vapor do que na água?

Ao cozinhar qualquer alimento, a perda de nutrientes importantes torna-se inevitável, mesmo que seja mínima. No entanto, ações simples, como a escolha do modo de cozimento, manterão seus alimentos muito mais saudáveis. 

Quando cozinhamos por imersão em água, alguns nutrientes se perdem no processo, e quanto mais tempo eles cozinham, mais nutrientes escapam. Além disso, o excesso de cozimento também afeta a cor e o sabor. 

Já o cozimento a vapor tem um desperdício menor de nutrientes, uma vez que a água do vapor passa pelo alimento e volta a cair sobre os legumes, tendo em vista que a panela fica fechada. A dica para essa forma de cozimento é optar por cozinhar os legumes ainda com casca, o que vai funcionar como uma barreira natural, preservando assim boa parte dos nutrientes.

  • É verdade que consumir muita “carne” de soja faz mal à saúde?

A carne de soja é rica em diversos nutrientes, sendo que cada 100 gramas deste produto contêm, aproximadamente, 38 gramas de carboidratos, 51 gramas de proteínas, 1,2 gramas de gordura e 4,3 gramas de fibras alimentares.

Porém, existem algumas ressalvas quanto ao consumo deste ingrediente. Um dos motivos para o questionamento sobre se a carne de soja faz mal, está no fato de que boa parte da produção de soja atualmente é transgênica, o que pode estar associado a diversos efeitos colaterais para a saúde. Os transgênicos levantam polêmica em todo o mundo, principalmente quando se trata de alimentos destinados a seres humanos, em razão da incerteza sobre o que pode acontecer no organismo humano caso haja o consumo a longo prazo destes produtos. 

Outro fator que pode prejudicar a saúde em relação ao consumo de soja é que ela é rica em ácido fítico ou fitatos, substância que bloqueia a absorção dos minerais como o zinco e o ferro, e em pequenas quantidades o cálcio.

Portanto, a ideia aqui é consumir o alimento com moderação.

  • Arroz e feijão substituem a carne em relação à quantidade de proteína?

Provavelmente você já deve ter lido por aí que a combinação de um cereal, como o arroz, com uma leguminosa, como o feijão, fornece uma proteína tão completa em relação à quantidade de aminoácidos quanto a proteína da carne, dos laticínios ou dos ovos. Porém, no reino vegetal não encontramos alimentos exclusivamente proteicos como um filé de frango, por exemplo. Por isso, precisamos de variedade e quantidade maiores de vegetais para atingir os mesmos níveis de proteínas. 

Portanto, para atingir facilmente as necessidades diárias de proteínas e todos os aminoácidos essenciais por meio dos vegetais, sem riscos ou deficiências nutricionais, é necessário que você tenha uma alimentação diversificada e equilibrada. O ideal é variar os alimentos, combinando diversos tipos de cereais, tais  como todos os tipos de arroz, milho, aveia, trigo, centeio, cevada, quinoa, amaranto, trigo sarraceno; com diversos tipos de leguminosas, tais como feijão, grão de bico, ervilha e lentilha.

Então, como substituir a carne por leguminosas, no que se refere às proteínas?

A Organização Mundial de Saúde recomenda o consumo de 100 g de carne por dia. Para trocar a carne por feijão e retirá-la da alimentação, são necessários o consumo de 7 colheres de sopa de leguminosas (feijão, grão-de-bico, ervilha, lentilhas, entre outras) ao dia.

Esta porção fornece a quantidade de aminoácidos necessários ao organismo humano e, por consequência, atende às necessidades nutricionais diárias de proteínas.

  • Alimentos como frutos do mar e carne de porco podem piorar inflamações?

Sim, estes dois alimentos são bastante conhecidos pela população por seus efeitos inflamatórios, inclusive sendo chamados de alimentos “reimosos” – aqueles que costumam ter alta concentração de proteína e gordura animal e provocam reações em determinadas pessoas, como coceira, diarreia e até intoxicações mais sérias em pacientes alérgicos.

O camarão é um crustáceo que tem concentrações elevadas de quitosana, uma molécula que favorece a inflamação da pele. Já a carne de porco também é um alimento que causa a mesma inflamação, o que pode elevar além da conta a produção de colágeno e gerar uma super cicatrização – o famoso queloide.