Como a pílula anticoncepcional pode afetar o ganho de massa magra das mulheres

02/03/2020 2 min de leitura

Muitas mulheres queixam-se da dificuldade para ganhar massa muscular, mesmo afirmando que treinam e fazem dieta regularmente. Existem também queixas sobre flacidez, celulite, retenção hídrica e facilidade para engordar ou dificuldade de perder gordura corporal. Não é novidade para ninguém que alimentação desequilibrada e o sedentarismo contribuem para essas alterações físicas.

Além desses dois fatores, estas questões também estão diretamente ligadas ao uso de pílulas anticoncepcionais. Esta forma de contracepção e controle de doenças está presente na vida de muitas mulheres que optam ou precisam utilizar este método, e possui alguns efeitos negativos na vida das mulheres.

As pílulas anticoncepcionais, mesmo possuindo doses baixas de hormônios, costumam trazer alguns efeitos adversos, tais como: retenção de líquidos, diminuição da libido, aumento da predisposição a varizes e trombose, acidente vascular cerebral (AVC) e embolia pulmonar.

Os anticoncepcionais são compostos basicamente por dois hormônios sintéticos, fabricados em laboratório, mas que são muito semelhantes aos produzidos naturalmente pelo organismo das mulheres, são eles o estradiol e a progesterona. Esses hormônios atuam impedindo a ovulação, ou seja, a liberação de óvulos pelos ovários. Isso pode ser um problema para as mulheres que querem ter corpos com músculos bem desenvolvidos, tendo em vista que quanto maior os níveis desses hormônios circulantes, menores são as taxas de testosterona.

A testosterona é importantíssima  para o funcionamento do organismo como um todo, e atua principalmente quando o assunto é emagrecimento e hipertrofia. Estima-se que o nível do hormônio seja 10 vezes menor nas mulheres que nos homens, o que repercute diretamente nos resultados durante os treinos e na busca do corpo definido que tantas desejam. Este hormônio é responsável por aumentar a captação de aminoácidos e estimular a produção de massa magra, colaborando para a hipertrofia muscular. Ou seja, com a diminuição da testosterona, o organismo não consegue captar tudo o que precisa para formar os músculos. 

Essa queda dos níveis de testosterona pode, inclusive, causar catabolismo proteico, ou seja, degradação de massa muscular, aumentando assim o percentual de gordura corporal. Estima-se que mulheres em uso de contraceptivos perdem de 2 a 4% de sua massa muscular e aumentem de 4 a 7% da massa de gordura. 

Outro hormônio que aumenta os níveis durante o uso da pílula é o cortisol. Conhecido como hormônio do estresse, ele pode ocasionar o ganho de peso. O cortisol é responsável pelo aumento da vontade de comer açúcar e, consequentemente, pelo crescimento da quantidade de gordura no sangue. Com isso, o peso não é o único fator alterado,  crescem também os riscos de problemas metabólicos, como colesterol total elevado, triglicerídeos e diabetes.

O ganho de massa muscular para as mulheres exige bastante empenho e é um processo naturalmente mais lento quando comparado ao dos homens, e diante do uso de contraceptivos orais, esse pode ser um processo mais demorado ainda. Portanto, mesmo treinando e fazendo dieta sob orientação de um profissional, o processo se torna mais lento e pode acarretar  perda de massa magra e ganho de gordura.

Claro que não se deve pensar que um único fator pode ser definitivo para os resultados. O uso de anticoncepcionais associado à falta de descanso adequado, níveis elevados de estresse e questões hormonais também acaba levando a um resultado insatisfatório na busca pela hipertrofia. Mesmo sabendo que os anticoncepcionais reduzem alguns hormônios responsáveis pela hipertrofia, ajustes a longo prazo, como um treino bem estruturado e uma boa dieta, contribuirão para que você alcance seus objetivos.